Exposição Trienal de Arquitectura de Lisboa 2010

Quando penso em arquitectura, ocorrem-me imagens. Muitas destas imagens estão relacionadas com a minha formação e com o meu trabalho como arquitecto. (...) Outras imagens têm a ver com a minha infância. Lembro-me desse tempo em que vivia a arquitectura sem pensar sobre isso.
(...)
As memórias deste tipo contêm as vivências arquitectónicas mais profundas que conheço.

in Pensar a Arquitectura, Peter Zumthor

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho a alecrim,
um cacho d'uvas doiradas,
duas rosas num jardim
(…)
É uma casa portuguesa, com certeza!
É com certeza uma casa portuguesa
(…)

Uma casa Portuguesa, Amália Rodrigues

Referindo-nos ao conceito casa, a primeira ideia que, de uma maneira inconsciente, nos percorre a mente, são imagens e sensações vinculadas à infância… uma casa de duas águas, uma porta, uma janela e um jardim de flores...
Durante a visita ao local de intervenção, ficámos encantados com o que se escutava, obrigado Senhora Amália por nos teres ajudado a pensar.
A ideia que procuramos potenciar e propomos para a Exposição da Trienal Arquitectura de Lisboa no Museu da Electricidade, é uma ideia de relação entre o que é interior (casa) e o que é exterior (o seu jardim).
Entramos na casa, um espaço de penumbra - preto; lê-mos; escutamos; circulamos; por fim, saímos para o jardim num espaço contrastante, cheio de luz - branco.

As suas flores são majestosas e de cor vermelho alaranjado (…). Cada flor possui 5 pétalas, sendo uma delas singular, com face superior raiada de vermelho ou laranja sobre um fundo branco (…) a época de floração é de Outubro a Dezembro.
In wikipédia, Delonix Regia

Este jardim tem para nós um papel fundamental já que será ele que nos permitirá unificar Portugal e Angola. Sendo assim, a nossa casa (portuguesa) possui um jardim de Acácias Rubras - Delonix Regia, uma belíssima flor angolana, que propomos ser a imagem poderosa da Exposição. Entre outros, propomos esta flor porque poderemos ter ao mesmo tempo a floração a acontecer nos dois países (a floração desta espécie coincide com a data da Exposição - Outubro 2010 a Janeiro 2011).

Sendo assim, o que propomos é uma promenade que começa na entrada da casa, onde, nas suas paredes, se aplicam lettrings explicativos dos conteúdos da Trienal e da Exposição, depois, já no jardim, entre flores sobre as quais se expõem os projectos, observamos a Exposição.

Como solução, garantindo a distinção entre Exposições, optamos por posicionar uma Exposição no interior da outra. A ajudar essa distinção propomos dois tamanhos diferentes de flores. Configura-se portanto, um único jardim e por sua vez, oferecemos idêntica importância a ambas as Exposições e a ambos os países, Portugal e Angola, como vizinhos que partilharam, partilham e partilharão cumplicidades.
Partindo da silhueta da Delonix Regia, configuramos os expositores, adaptando a sua forma ao formato dos elementos a expor. À semelhança da Exposição It's About Time de Peter Zumthor na Experimentadesign'09, não se revela necessário trabalhar com elementos verticais de suporte à Exposição. Propomos que toda a Exposição se concentre nas pétalas das flores; por exemplo, nas pétalas temos os referidos painéis e maquetes A1 relativos à Exposição do Concurso Universidades, de igual modo, as maquetes 60x60cm., relativas a cada projecto da Exposição do Concurso Internacional (para esta pétala/maquete, propomos uma anexa - painel A1). De igual modo, em analogia à singularidade de uma das cinco pétalas da Acácia Rubra, dotamos a Exposição de elementos polivalentes ao cargo do comissariado, por exemplo: projecção, reunir, etc.

Para materializar estas grandes peças efémeras, pensamos utilizar blocos de poliestireno de alta densidade branco, recortados a laser.
Estes elementos estariam pousados num pavimento de relva sintética branca (abstracção) com baixa altura de fio. No sentido de subtilmente ajudar a definir um percurso lógico sem perda de conteúdos visualizados, no pavimento existiriam dois caminhos orgânicos de jardim formalizados através de uma linha com a largura de 2cm., pintada a cor cinza muito claro, se pertinente, ao longo desta linha, poderia ser anexa alguma informação escrita.
Em relação à casa, propomos em poliestireno de alta densidade preto; (se necessária estrutura - tecto/cobertura por ex. - a mesma poderá ser em perfis metálicos para gesso cartonado); no seu interior os elementos de informação serão em vinil branco.
Por fim, salientamos a presença da iluminação através de um único ponto de luz (lâmpada economizadora) centrado em cada flor e suspenso por um fio eléctrico, o qual se “agarra” à estrutura metálica do Museu da Electricidade.

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Ficha técnica:

Designação: Exposição para a Trienal de Arquitectura de Lisboa 2010 no Museu da Electricidade
Localização: Belém, Lisboa
Data: 2009 a 2010 (concurso) 2010 (obra e conclusão)
Promotor: Trienal de Arquitectura de Lisboa 2007 - Sociedade Unipessoal, Lda.
Projecto de arquitectura: Cláudio Vilarinho
Colaboradores: Ernesto Pereira, Filipe Lemos, Gil Soares, Paloma Ibarra
Design Gráfico: Teresa Serôdio
Light Designer: Paula Ranha

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