Europan 10 - Cascais (citação do júri / honourable mention)
Ideias urbanas:
Localizada numa posição privilegiada, a área de estudo insere-se junto ao limite Norte da mancha urbana de Cascais
Propõem-se um conjunto de regras apresentadas como layers de informação diversa – vias, espaço público, edificado, espaços intersticiais, etc. cujo conteúdo procura controlar a especificidade inerente a cada tema e que no final, a sobreposição dos layers resulte numa proposta coerente. Sendo assim, o sistema ou conjunto de regras pretende controlar a imagem de uma parcela de território altamente atractivo pelo seu posicionamento territorial, isto é pela proximidade com o PNSC – Parque Natural Sintra Cascais, e por possuir condições privilegiadas em termos de acessibilidades (mais ainda pelo futuro MLS – Metro Ligeiro de Superfície), mas mantendo uma grande dose de flexibilidade e adaptabilidade, de forma a que possa ser implementado em várias realidades e que possa aguentar as hesitações e retrocessos inerentes a um processo deste tipo.
Como resposta arquitectónica, a proposta entende estas figuras da seguinte forma:
1- Propomos desde a Terceira Circular um acesso imediato ao novo aglomerado urbano, promovendo assim a atractividade em termos de mobilidade e acessibilidade.
2- Pretendemos “provocar” a escala do novo Hospital (mas mais que tudo diluir a sua presença): “se tu és grande, vamos fazer ainda maior”, contudo esta afronta não a entendemos como exagerada, visto que a cércea do novo aglomerado é, quanto a nós, a adequada para o sítio.
3- Reabilitando o aglomerado de Cabreiro.
4- Pelo “transporte” da Ribeira das Vinhas para o novo aglomerado.
5- Quanto ao advento do MLS, entendemo-lo como instrumento de oportunidade; sendo assim, através da implantação da sua linha, definimos uma zona de programa social exterior, sobretudo uma zona de programa agrícola comunitário e uma zona de programas relacionados com o desporto; ao longo desta linha pontuamos alguns equipamentos.
Quarteirão:
Estabelecendo um diálogo entre si e com uma identidade forte, entre outros, o projecto assenta na criação de 3 conjuntos edificados (Qs – Quarteirões). Os mesmos criam simultaneamente unidade e diversidade. A repetição e variação destas unidades, permite introduzir uma nova dinâmica e imagem ao sítio. Resumindo o que propomos é um sistema de agregação volumétrico infinito, flexível e adaptável a um sítio determinado. O mesmo poderá ser perfeitamente ajustado a um plano de pormenor mais convencional.
Propondo oferecer um maior destaque ao espaço público em detrimento da massa construída, ao nível dos Qs, promovemos a sobreposição de duas layers:
a) no nível térreo, a primeira layer que para além de conter o espaço verde/sistema de percursos, contém os núcleos (envidraçados) de acesso ao programa de Serviços e Habitação.
b) a levitar sobre esta base, uma segunda layer, volumétrica, cujo programa é constituído por unidades de Serviços nos Q1 e Q2, mais tipologias de Habitação nos três Qs.
Em contraste evidente com a ortogonalidade da implantação das diferentes volumetrias, a proposta contempla um sistema de percursos orgânicos. Este rendilhado, para além de originar uma expressividade compositiva ao nível do solo, através do seu desenho, indirectamente, num mesmo lugar, está a proporcionar o surgimento de bolsas de actividade; como exemplo: na “praça maior” poderão estar a acontecer ao mesmo tempo 5, 6, 7 actividades diferenciadas, logo potenciando o Bairro como conceito.
Tipologias:
Com o surgimento dos novos sujeitos urbanos (famílias monoparentais, casados com o cônjuge a trabalhar fora, divorciados, idosos emancipados, etc.), cada vez mais o desenho do fogo deverá corresponder a essa mesma necessidade de adaptabilidade. Estes sujeitos que do ponto de vista sociológico são instáveis, ou simplesmente têm exigências a momentos distintos ao longo da vida, são o alvo do tipo de habitação (colectiva) que propomos.
Mais do que definir-mos um espaço para dormir, para estar, para comer, o que definimos é um compartimento abstracto capaz de ter uma definição atribuída (no momento) pelo usuário.
Propomos o desenho de cada apartamento estruturado em 3 bandas paralelas, são elas:
a) uma banda de programa livre.
b) uma banda que agrega sobretudo as instalações sanitárias, a zona central da cozinha e mobiliário embutido.
c) mais uma outra banda de programa livre.
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Ficha técnica:
Designação: Europan 10 - Cascais
Localização: Cascais, Portugal
Data: 2009 (concurso)
Promotor: Câmara Municipal de Cascais + Europan Portugal
Projecto de arquitectura: Cláudio Vilarinho
Colaboradores: Filipe Lemos, Gil Soares, Sofia Araújo
Projecto de Arquitectura Paisagista: Nuno Almeida + Lília Coelho